Mais Populares

Mostrando postagens com marcador festas. Mostrar todas as postagens

Vinho e outras bebidas alcoólicas IV: As bodas de Caná

By : Gabriell Stevenson

Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram. E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho...” – João 2.7-9

O primeiro milagre que Jesus efetuou, segundo João, foi o de transformar água em vinho durante uma festa de casamento. Obviamente, este é mais um texto frequentemente deturpado por aqueles que alegam não haver nenhuma contradição bíblica quato a consumir bebida alcoólica, mesmo que seja só um pouco.

Ao lermos esta passagem de João 2.7-9 devemos levar em consideração o tempo e a cultura no qual está inserida, bem como as palavras usadas para descrever o acontecido.

O primeiro fato que devemos analisar é o de que essas festas – nos tempos de Cristo e dos apóstolos – duravam cerca de vários dias. Levando isso em consideração, não poderia ser vinho alcoólico este que Cristo criou; Jesus produziu cerca de 600 a 900L de vinho (v. 6-9) e consumir todo esta quantidade de vinho alcoólico deixaria todos na festa extremamente embriagados; essas festas não tinham uma longa pausa de um dia para o outro, elas se desenrolavam quase que sem parar; e estar bêbado é abominação para Deus [I Co 6.10]. Jesus Cristo é o Filho de Deus, e como tal não poderia fazer algo que desagradasse ao Pai [Jo 8.29]. Jesus não poderia ter transformado a água em vinho alcoólico, pois Ele mesmo não poderia colocar homens para estarem embriagados [Hc 2.15]; seria uma contradição contra Ele mesmo. Na verdade, olhando bem o texto, nos parece que todos estavam bem sóbrios até então; e não há nenhuma menção sobre alguém ter perdido os sentidos por estar bêbado durante as bodas.

O segundo fato a ser analisado são os dados históricos sobre o preparo e uso do vinho pelos judeus e por outras nações. Esses dados mostram que o vinho era frequentemente não fermentado e em geral misturado com água (Enciclopédia Bíblica Ilustrada de Zondervan, v.882 | Columella, Sobre a Agricultura 12.44.1-8). Entre os judeus dos tempos bíblicos, os costumes sociais e religiosos não permitiam o uso de vinho puro sem fermento, nem o fermentado. O Talmude fala, em vários textos, sobre a mistura de água com vinho (e.g., Shabbath 77ª; Pesahim 1086). Certos rabinos insistiam que, se o vinho fermentado não fosse misturado com três partes de água, não podia ser abençoado e contaminaria quem o bebesse. Outros rabinos exigiam dez partes de água no vinho fermentado para poder ser consumido. Em resumo, o tipo de vinho usado pelos judeus nos dias da Bíblia não era idêntico ao de hoje. Tratava-se de suco de uva recém-espremido; suco de uva misturado com água; vinho velho, fermentado ou não, diluído em água, numa proporção de até 20 para 1; se fosse servido não diluído em água isso seria considerado uma indelicadeza, contaminação e não poderia ser abençoado – isso nos lança uma luz do porque Jesus ter escolhido a água como o elemento primário para produzir o vinho.

O terceiro fato que devemos considerar é que este foi um milagre feito a fim de evidenciar “a Sua Glória” e levar as pessoas a crerem que Ele era o Filho de Deus (v. 11). Alegar que Jesus produziu e usou vinho alcoólico, não somente ultrapassa os limites das normas exegéticas, como também nos leva a um conflito com os princípios morais embutidos no contexto geral do ensino das Escrituras. Fica claro que, à Luz da natureza de Deus, este vinho não poderia ser alcoólico. O mestre-sala declarou, após provar o vinho: “... Todo homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então, o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.” (v. 10). O “vinho bom” era o mais doce, livre de fermento, e que poderia ser consumido livremente; “bom” vem do grego kalos, que significa “moralmente excelente ou apropriado.” (v. 11)

À luz destes fatos, e do que já analisamos nos textos anteriores, conclui-se que a prática de ingestão de bebidas alcoólicas não é apoiada pela Bíblia Sagrada; logo é tolice insistir que Jesus foi um “consumidor inteligente” de bebidas alcoólicas e que nós, como cristãos, podemos consumí-las sem problema algum.

Continua...
Veja a mensagem anterior: "Vinho e outras bebidas alcoólicas III: Comilão e beberrão"

Vinho e outras bebidas alcoólicas III: Comilão e Beberrão

By : Gabriell Stevenson

Por todos os Evangelhos vemos Jesus sendo convidado a participar de comemorações [Jo 2.1-2] ou reuniões particulares na casa de alguém [Lc 14.1], ou até organizando, Ele mesmo, alguma ceia com os seus apóstolos [Lc 22.8]. Em todos estes lugares vemos a presença de fartura de alimento e vinho.

Quando Jesus realizava alguma reunião com seus apóstolos, não lhes negava alimento e bebida; mas não quer dizer que todos comiam e bebiam até se empanturrarem. Quando era convidado a estar em algum lugar – e o foi por várias vezes – também não passava dos limites. Porém, era comum todos comerem e beberem bem, afinal de contas eram momentos de descontração, comunhão ou de celebração.

Já sabemos que era normal o consumo de vinho não fermentado – o doce – como se fora água; devido às impurezas em lagos, poços, etc. Todos, certamente consumiam muito vinho não fermentado em comemorações e em reuniões. E os fariseus sabiam bem disso. Penso que os inimigos de Jesus usaram este conhecimento de que todos se fartavam a vontade, somando ao fato de que Jesus sempre era convidado a estar em algum lugar, para o acusarem de ser um comilão e beberrão [Lc 7.34]; queriam manchar a imagem de Jesus, para que ninguém o seguisse mais, porém foi o próprio Jesus quem disse que aquele que come e bebe com os beberrões é um mau servo (Mt 24.48-51). Jesus não poderia se comportar como um mau servo, envolvendo-se em lugares onde havia o consumo de bebida embriagante.

Quando se trata em não consumir álcool, muitos se defendem dizendo: “É pecado ser um beberrão, mas consumir um pouco de álcool não tem problema. Se houvesse problema, então deveríamos parar de comer, pois ser glutão, ou comilão, também é pecado. Deveríamos parar de comer, então, para evitarmos ser comilões.” Isso é um ótimo raciocínio lógico, contudo, esta forma de interpretação não é sempre válida. Devemos tomar cuidado com raciocínios lógicos e ficarmos principalmente com o que a Palavra de Deus nos diz, pura e integralmente. Comer é uma necessidade natural do corpo humano, consumir bebida alcoólica não o é. E mesmo sendo uma necessidade do corpo, vemos vários conselhos ao jejum – passar fome, literalmente, e orar muito, para que a carne enfraqueça e o espírito fique mais forte a cada novo jejum e oração.

Olhando para essas acusações contra Jesus eu percebo o porquê de Paulo ter dito para os bispos não serem dados ao vinho [oinos], e nem os diáconos a muito vinho [oinos] [I Tm 3.2-3, 8 | Tt 1.7]. A palavra dado, usada por Paulo vem do grego paroinon, que quer dizer literalmente “ao lado do vinho”, “perto do vinho” ou “com vinho”. Não creio que este vinho seja o embriagante, pois, como já vimos até então, o consumo de bebida alcoólica não é sustentado pela Palavra como sendo uma atitude sensata e correta, e Paulo aconselhou que os diáconos apenas não fossem dados a “muito vinho”. Creio que esta advertência seja para que os bispos e diáconos não se demorassem perto do vinho não fermentado, para que evitassem ser acusados de beberrões, como fizeram com Jesus; não era, e nem é pecado consumir vinho não fermentado, contudo deveria ser ingerido com moderação [II Tm 1.7 | Gl 5.13]. Percebo que essa exigência foi muito mais “pesada” sobre os bispos por eles estarem em uma posição mais elevada e de maior destaque, ao passo que os diáconos não possuem tanta atenção quanto eles.

Há evidências, também, que apontam para pessoas viciadas em vinho fresco sem fermento nos dias de Cristo e dos apóstolos (Plínio, História Natural, 14.28.139). Paulo certamente enfatizou o autocontrole para os bispos e diáconos – mas muito mais sobre os bispos. E o apóstolo não é o único que faz este tipo de admoestação. A literatura rabínica contém advertências a respeito do uso excessivo do suco doce de uva, sem fermentação. Essa literatura refere-se a tiros, uma bebida de uva que inclui “todos os tipos de sucos doces e mosto, mas não o vinho fermentado” (Tosef., Ned. IV.3); que “se for bebido com moderação, contribui para a liderança... se for bebido excessivamente, leva à pobreza” (Yoma, 76b). “Quem a bebe habitualmente [excessivamente], empobrecerá com certeza” (Enciclopédia Judaica, 12.533). Logo, um dos possíveis motivos de Paulo tê-los proibido de consumir vinho ou muito vinho seja o de evitar o vicio por parte dos bispos e diáconos.

Continua...

Vinho e outras bebidas alcoólicas II: Jesus e João Batista

By : Gabriell Stevenson

Porque veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Têm demônio. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos pecadores.” – Lc 7.33-34

Assim como fazem com as palavras de Paulo a Timóteo, também há cristãos – e até não cristãos – que usam esta passagem para difamarem Jesus; afirmando que Ele era um consumidor de bebidas alcoólicas. Porém, como fizemos com I Timóteo 5.23 iremos analisar bem estes dois versículos de Lucas dentro do seu contexto real; com o auxilio do mesmo relato descrito por Mateus.

Em primeiro lugar, perceba que Jesus está fazendo um discurso para uma multidão que o cercava (v. 24); ele começa a falar a respeito de quem era João Batista – um profeta, e muito mais do que um profeta (v. 26-28). Durante o seu discurso, muitos homens que o ouviam declaravam a justiça de Deus (v. 29). Mas os fariseus rejeitaram aquilo que Jesus lhes dizia (v. 30). Em seguida, Jesus começa a relatar as afrontas que os fariseus lhes dirigiam (v. 33-34). E finaliza com uma grave repreensão contra o povo que habitava nas cidades em que operou a maior parte de seus milagres [Mt 11.20]; estas foram Corazim, Betsaida e Cafarnaum (v. 21-24).

Note que, quando Cristo falou as palavras “veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho” Ele estava se referindo ao que os fariseus declaravam sobre Ele; acusações infundadas contra Jesus para diluírem a Sua moral e justiça, e acabarem com o Seu ministério.

João Batista, de fato, não comia pão ou bebia vinho, pois este era o seu voto – o voto de nazireu [Nm 6.1-4]. Ser nazireu implica em não consumir nada que venha de uma vide; isso inclui até mesmo as uvas frescas. Jesus, por outro lado, não era nazireu e poderia consumir, sem nenhum problema, aquilo que provinha de uma vide; seja a própria fruta, o óleo, o vinagre ou o vinho, etc. A questão é, se este vinho o qual Jesus consumia era fermentado ou não, e existem boas evidências de que a resposta seja NÃO.

Além de textos como Efésios 5.18, Provérbios 20.1 e Provérbios 23.29-35, sabemos que na época de Cristo e dos apóstolos a água não era excelente para o consumo. “... a água em muitas localidades não era segura para uso. Doenças físicas, como a disenteria, frequentemente estavam relacionadas com água contaminada, sendo de comum ocorrência. Consequentemente, outras maneiras de matar a sede eram frequentemente recomendadas" (Seventh-day Adventist Bible Commentary, v. 7, p. 314). Uma dessas maneiras, e a principal delas, era o consumo de vinho não fermentado; consumir o vinho fermentado durante todo o dia, para saciar a sede, levaria a pessoa a estar bêbada constantemente, prejudicando sua vida privada e profissional.

Jesus certamente fazia o mesmo que seus contemporâneos, Ele consumia vinho não fermentado para matar a sua sede, ao invés de arriscar ter uma disenteria consumindo muita água possivelmente suja. Como Ele era convidado a sempre estar na casa de alguém ou participar de muitas festas e comemorações, acabava comendo e bebendo vinho frequentemente – mas frequentemente não implica dizer “em grande e exagerada quantidade”. Os fariseus usaram este fato apenas para difamá-lo – mentiram sobre Ele. Jesus apenas fez uma comparação do que diziam contra João Batista e o que diziam contra Ele próprio; como não tinham o que dizer contra João Batista, afirmaram que ele tinha demônio por não se comportar "normalmente" – já que comia gafanhotos e mel silvestre, ao invés de pão e vinho, e ainda por cima usava pele de camelo para se vestir; e como não tinham o que dizer contra Jesus, afirmaram que Ele era um comilão e beberrão por comer e beber normalmente.

Continua...

- Copyright © 2014 Bíblia em Reflexão - Powered by Blogger