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Discussão: Entendendo o fruto do espírito
By : Gabriell StevensonApesar de não ser amplamente debatida, esta é uma discussão muito interessante. Apenas conversando com algumas pessoas, percebemos o quanto é divergente o entendimento dos cristãos com respeito a Gálatas 5.22-23.
Podemos observar pessoas dizerem: (1) O fruto do espírito (humano), ou (2) Os frutos do espírito (humano), ou (3) O fruto do Espírito (Santo), ou (4) os frutos do Espírito (Santo). Perceba que existem pelo menos quatro tipos básicos de entendimento a respeito desta passagem; mas ainda podemos observar subdivisões no primeiro e no terceiro pensamento: (a) uns dizem que este fruto é apenas o Amor e que as demais citações – alegria, paz, longanimidade, etc. – de Paulo, são apenas as ferramentas deste Amor. (b) Outros dizem que este fruto não se limita apenas ao Amor, mas que todas as citações de Paulo são igualmente, e separadamente, as reais características do fruto.
Entendendo que existem estas divergências, vamos agora ao analise do texto em questão:
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.” – Gálatas 5.22-23
Em primeiro lugar, assim como discutido no artigo sobre Paulo e o terceiro céu, temos de entender que Paulo era um homem perfeitamente instruído na Palavra de Deus, e que, analisando todas as suas cartas, podemos dizer, com certeza, que Paulo sempre dizia exatamente o que ele queria dizer - sem mais, nem menos. Na verdade, muitas normas exegéticas e hermenêuticas são pura invenção humana para poderem deturpar a mensagem pura da Palavra. A principal norma que devemos entender e aceitar é: a Palavra diz exatamente o que ela quer dizer.
Paulo, ao escrever a sua carta aos gálatas, cita as obras (plural) da carne e o fruto (singular) do "Espírito". Parece ser um contraste muito grande quando observamos que as obras da carne são uma pluralidade de obras, enquanto que o fruto do "Espírito" também é uma pluralidade de coisas. Alguns concluem, por isso, que seria inconsistente crermos que o fruto do "Espírito" seria uma pluralidade de coisas - sendo que "fruto" está no singular; seria mais sensato pensar que seja uma única característica (o Amor), e que as demais sejam ferramentas desta característica. Contudo, o pensamento de que o fruto seja apenas um e que possui uma pluralidade de características, não é nem um pouco inconsistente comparando a outros textos da Bíblia sagrada. Lembre-se que cremos em apenas um Deus, mas que este único Deus é eternamente existente em três pessoas distintas, mas iguais em essência. Lembre-se também do demônio chamado Legião [Mc 5.9]. Ele disse: "... Legião é o meu nome [singular], porque somos muitos [plural]." É perfeitamente plausível que o fruto do "Espírito" sejam 9 em 1; cada característica agindo no momento devido e oportuno.
Não me parece justo forçar um texto bíblico a dizer aquilo que ele não diz com exatidão. Acredito que ao invés de nos preocuparmos em querer entender aquilo que a Bíblia não diz, deveríamos investir o nosso tempo em aceitá-la.
Veja bem, é perceptível que estas características do fruto do "Espírito" são semelhantes às características - ou ferramentas - do amor, descritas em I Co 13.1-8. Porém, perceba que no versículo 13 de I Co 13 Paulo escreveu: "Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor..." Ele fez uma clara diferença entre "Fé" (pistis) e "Amor" (agape), mesmo que no versículo 7 ele diga que o "Amor" (agape) "tudo crê"; e este "Crê" é pistis. E "Fé" (pistis) é uma das características do fruto do "Espírito". Então, embora a Fé faça parte das ferramentas do Amor, pistis e agape são palavras distintas e possuem significados particulares. Se Paulo quisesse dizer que o fruto do "Espírito" é o Amor, e que as demais características são meras ferramentas deste Amor, ele teria dito isso claramente, ao invés de listá-las uma atrás da outra, de forma ordenada.
Outro ponto a ser analisado nesta questão é se este "Espírito" é realmente o Espírito Santo ou o espírito humano.
A maioria das Bíblias trás a letra "E" em maiúsculo, indicando que este fruto é do Espírito Santo. Porém, não há nenhuma palavra anterior ou posterior que indique isso. Na verdade, todo o contexto de Gálatas 5.16-26 foi muito mal interpretado por alguns tradutores. Paulo não estava, em versículo algum, falando sobre o Espírito Santo; não há indicações claras disto. O que vemos é Paulo repetindo aquilo que também falou em Romanos 7.18-23. Paulo nos adverte, tanto em Romanos, quanto em Gálatas, que todo cristão nascido de novo trava uma "luta" contra si mesmo: Carne X Homem Interior (espírito humano). A diferença é que em Gálatas, Paulo lista qual é a lei em sua Carne - que são as obras da carne - e qual a lei em seu Homem Interior - que é o fruto do espírito.
Perceba também que Jesus nos chamou de ramos: Eu sou a videira, vós os ramos; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada pois fazer [Jo 15.5]. Apesar dos ramos precisarem estar conectados à videira para poderem produzir uvas, são eles que as produzem. Também seria incoerente afirmar que "o fruto" seja do Espírito Santo, pois fruto é algo que nasce em alguma coisa, e o Espírito Santo não precisa que algo nasça nele, pois Ele já é completo desde a eternidade. Mas nós, como seres humanos incompletos, após a experiência do novo nascimento [II Co 5.17], precisamos que estas coisas nasçam em nós.
Em conclusão, vemos que O Fruto é apenas um, que se subdivide em amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança; de forma igual e ordenada. E que este Fruto não é do Espírito Santo, mas sim do espírito humano. E ele é produzido em nós por estarmos conectados com o Senhor Jesus.
Texto: Gabriell Stevenson
Outro ponto a ser analisado nesta questão é se este "Espírito" é realmente o Espírito Santo ou o espírito humano.
A maioria das Bíblias trás a letra "E" em maiúsculo, indicando que este fruto é do Espírito Santo. Porém, não há nenhuma palavra anterior ou posterior que indique isso. Na verdade, todo o contexto de Gálatas 5.16-26 foi muito mal interpretado por alguns tradutores. Paulo não estava, em versículo algum, falando sobre o Espírito Santo; não há indicações claras disto. O que vemos é Paulo repetindo aquilo que também falou em Romanos 7.18-23. Paulo nos adverte, tanto em Romanos, quanto em Gálatas, que todo cristão nascido de novo trava uma "luta" contra si mesmo: Carne X Homem Interior (espírito humano). A diferença é que em Gálatas, Paulo lista qual é a lei em sua Carne - que são as obras da carne - e qual a lei em seu Homem Interior - que é o fruto do espírito.
Perceba também que Jesus nos chamou de ramos: Eu sou a videira, vós os ramos; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto, porque sem mim nada pois fazer [Jo 15.5]. Apesar dos ramos precisarem estar conectados à videira para poderem produzir uvas, são eles que as produzem. Também seria incoerente afirmar que "o fruto" seja do Espírito Santo, pois fruto é algo que nasce em alguma coisa, e o Espírito Santo não precisa que algo nasça nele, pois Ele já é completo desde a eternidade. Mas nós, como seres humanos incompletos, após a experiência do novo nascimento [II Co 5.17], precisamos que estas coisas nasçam em nós.
Em conclusão, vemos que O Fruto é apenas um, que se subdivide em amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança; de forma igual e ordenada. E que este Fruto não é do Espírito Santo, mas sim do espírito humano. E ele é produzido em nós por estarmos conectados com o Senhor Jesus.
Texto: Gabriell Stevenson
Vinho e outras bebidas alcoólicas I: Paulo e Timóteo
By : Gabriell Stevenson
"Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas frequentes enfermidades." - I Timóteo 5.23
Esse texto tem sido frequentemente usado por aqueles que desejam fazer a Bíblia apoiar o consumo de bebidas alcoólicas. Alguns chegam a dizer que o problema seria a ingestão de "muito vinho", ao passo que apenas "um pouco" não seria problema. Eles se baseiam, principalmente, em textos como esse: "Não erreis: ... nem os bêbados ... herdarão o reino de Deus." [I Co 6.10]; pensam que apenas aqueles que são "escravizados" pelo álcool é que não herdarão o reino, e assim, afirmam que um pouco de bebida alcoólica não faz mal, pois não nos deixarão bêbados.
Primeiramente, devemos notar o contexto no qual este concelho de Paulo está inserido. Analisando as palavras do apóstolo, vê-se que se trata de uma recomendação a alguém com problemas de estômago e talvez acometido por outras enfermidades não mencionadas. Então, o conselho de Paulo tem a ver com uma situação médica, e não com os membros da igreja indiscriminadamente.
Há basicamente duas hipóteses quanto ao vinho recomendado para as enfermidades de Timóteo:
1. Seria vinho alcoólico
2. Seria vinho sem álcool (o puro suco de uva).
Às vezes, uma palavra no idioma original ajuda a esclarecer determinado texto bíblico, mas isso não acontece com I Timóteo 5.23, onde vinho é tradução da palavra grega oinos - palavra que tanto pode indicar vinho com álcool como vinho sem álcool.
Se o vinho fosse de fato alcoólico, estaria de acordo com uma ideia médica nos tempos de Paulo, a de que o vinho fermentado era um medicamento útil na cura de várias doenças (R. N. Champlin, O Novo Testamento Interpretado, v. 5, p. 341). Se se tratasse de vinho fermentado, a ser ingerido como remédio, o conselho se assemelharia ao que aparece em Provérbios 31.6: "Daí bebida forte [shekar] aos que perecem e vinho [yaín] aos amargurados de espírito." Esses que estavam "perecendo" (doentes terminais) deviam tomar alguma coisa que lhes anestesiasse a dor. Note que também aqui o conselho é dado a doentes, e não a pessoas sadias.
Passemos, agora, à segunda hipótese: O vinho seria sem álcool, o puro suco de uva. Ingerir vinho não fermentado não é condenado pelas Escrituras Sagradas. Se aceitamos a hipótese de que o vinho recomendado por Paulo era sem álcool, isso também estaria de acordo com as propriedades medicinais da uva. O álcool realmente era usado como anestésico, pois as pessoas perdiam um pouco dos seus sentidos; incluindo dores físicas. Mas, a uva em si, possui poderes medicinais para problemas estomacais.
Paulo, então, estaria dizendo a Timóteo que suco de uva seria benéfico ao seu estômago, de preferência à água muitas vezes de qualidade duvidosa e contaminada, como acontecia já naqueles dias. "Nos dias de Paulo, como agora, a água em muitas localidades não era segura para uso. Doenças físicas, como a disenteria, frequentemente estavam relacionadas com água contaminada, sendo de comum ocorrência. Consequentemente, outras maneiras de matar a sede eram frequentemente recomendadas." (Seventh-day Adventist Bible Commentary, v. 7, p. 314). Nesse caso, vinho (suco de uva) seria preferível à água impura (J. N. D. Kelly. 1 e 2 Timóteo e Tito, p. 123).
Devemos concordar que as bebidas fermentadas - alcoólicas - confundem os sentidos e pervertem as capacidades do ser humano [Pv 23.29-32]. Vinho fermentado não é um produto natural e o Senhor nunca o produziu e nada tem a ver com a sua produção. Paulo certamente orientou Timóteo a tomar um pouco de vinho por causa de seu estômago e de suas frequentes enfermidades, porém creio - pelas evidências - que se tratava de suco de uva não fermentado.
Em Provérbios 23.32 a Palavra de Deus nos retrata o consumo de bebida alcoólica como sendo um caminho de morte, quando diz: "No fim, picará como a cobra, e como o basilisco morderá." Em Efésios 5.18 diz-se: "E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito Santo." Em outras traduções diz que no vinho há "devassidão" ao invés de "contenda". E Provérbios 20.1 fala-se: "O vinho é escarnecedor, a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar não será sábio."
Podemos facilmente concluir que a Bíblia não apoia, realmente, o consumo de bebidas alcoólicas; seja em menor quantidade ou em muita quantidade. E se não apoia o consumo, posso dizer que esta recomendação de Paulo a Timóteo tratava-se sobre a ingestão de vinho não alcoólico.
Continua...
Texto: Gabriell Stevenson

