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A santíssima trindade revelada no Novo Testamento

By : Gabriell Stevenson

No artigo anterior, sobre a santíssima trindade no Antigo Testamento, observamos algumas evidências quanto a trindade de Deus no Antigo Testamento. Vimos que possuímos fortes razões para crermos que Deus Pai deixara algumas pistas quanto ao Filho (Jesus) e o Espírito Santo fazerem parte da Sua divindade. Contudo, como veremos a seguir, apenas no Novo Testamento é que as sombras das coisas passadas se dissiparam [Cl 2.17 | Hb 10.1] e a verdade outrora oculta fora finalmente revelada [Cl 1.26].

Para entendermos melhor, iremos dividir este estudo em duas partes: Jesus e o Espírito Santo. Assim, poderemos ver com clareza e exatidão algumas das várias passagens bíblicas que comprovam a dinvindade do Filho e do Espírito.

1. Jesus

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus... Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez." - João 1.1,3

"Eu e o Pai somos um." - João 10.30

"E quem vê a mim vê aquele que me enviou." - João 12.45

"... porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente." - Jo 5.19

"Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade." - Colossenses 2.9

Estes são apenas alguns dos vários versículos que podem ser encontrados na Palavra de Deus, que comprovam a divindade de Cristo. O evangelho segundo João foi o que mais enfatizou o Senhor Jesus como sendo parte da divindade de Deus. Ele faz referências até mesmo à criação do mundo, afirmando que Jesus é Deus - não um Deus, mas Deus -, e também afirma que tudo quanto foi feito, por Ele foi feito. Neste mesmo evangelho, vemos Jesus fazendo declarações a cerca de si mesmo, afirmando ser um só com o Pai, e que todo aquele que olhasse para Ele, estaria olhando para Deus, pois Jesus era a perfeita imagem de Deus aqui na terra [Hb 1.3]; realizando as mesmas obras. Paulo também defende a dinvindade de Cristo, afirmando que nele habita corporalmente toda a plenitude divina. Seria impossível para Jesus, se fosse um simples homem, possuir toda a plenitude divina habitando em si mesmo.

Além destas passagens, existem outras referências a cerca de Jesus, no Novo Testamento, que o colocam em pé de igualdade com o Deus Pai:

Eu sou - Êxodo 3.14 | João 8.58

Redentor - Isaías 47.4 | Tito 2.14

Salvador - Isaías 43.3 | Tito 3.6

Juiz - Salmo 98.9 | Atos 17.31

Senhor - Isaías 6.1 | João 12.41

Ao longo de todo o Novo Testamento, podemos observar várias dessas comparações entre Jesus e o Pai, igualando-os. A própria vida de Cristo, e o testemunho de todas as professias sendo cumpridas Nele, provam que Jesus é o Messias e Deus.

2. Espírito Santo

O próximo passo agora é vermos como pode o Espírito Santo também ser Deus, mas antes devemos responder a uma pergunta: o Espírito Santo também é uma pessoa, assim como o Pai e o Filho?

"Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo..." - Isaías 63.10

"E não entristeçais o Espírito Santo de Deus..." - Efésios 4.30

"... esse vos ensinará todas as coisas..." - João 14.26

Os judeus não convertidos acreditam que o Espírito Santo não seja uma pessoa, mas apenas uma "força dinâmica" de Deus. Porém, estes três versículos demonstram que o Espírito Santo é uma pessoa, assim como Deus Pai e Deus Filho o são, pois tem sentimentos e inteligência. Apenas uma pessoa poderia possuir tais atributos. Também podemos observar em Atos 5.3 que existe a possibilidade de mentirmos para o Espírito, e, como sabemos, só se pode mentir à uma pessoa.

Percebendo isto, vamos analisar como o Espírito Santo fora revelado como participante da mesma divindade do Pai e do Filho:

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador..." - João 14.16

A palavra usada para "outro" é allos, que significa "outro do mesmo tipo"; diferente de heteros, que significa "outro de outro tipo". Jesus, igualou o Espírito Santo a Ele mesmo. Está evidente, por esta declaração, que o Espírito possui a mesma natureza de Cristo - que possui a mesma natureza do Pai.

Em I Coríntios 3.17, Paulo disse: "... o Senhor é o Espírito...", claramente evidenciando o Espírito Santo como Deus. O apóstolo Pedro também o revela como Deus: "... mentisses para o Espírito Santo... Não mentiste aos homens, mas para Deus." [At 5.3-4]. E além destes versículos podemos observar, por meio de muitas passagens, os mesmos atributos de Deus no Espírito Santo: Ele é a verdade [I Jo 5.6]; Ele é onipresente e onisciente [Sl 139.7 | I Co 2.10]; Ele é criador [Sl 104.29-30]; etc.

O fato de muitos judeus não crerem na santíssima trindade - ou que pelo menos o Senhor seja um Deus eternamente existente em mais de uma pessoa - é por não crerem no testemunho fiel do Senhor Jesus e nem do Espírito Santo, como sendo igualmente divinos como o Pai - para estes, Jesus não fora o Cristo e o Espírito Santo não passa de uma "força dinâmica" de Deus Pai. Podemos observar, porém, por todas as Sagradas Escrituras do Novo Testamento, que muitos judeus seguiram e creram em Cristo; aceitando a Sua divindade e a do Santo Espírito.

Os islâmicos, como foi assinalado no texto anterior, também recusam a ideia de que Deus seja uma trindade; dizem ser impossível 1+1+1 ser igual a 1, logo rejeitam que Deus possa ser uma trindade. Os islâmicos nem sequer aceitam que Jesus seja o Messias; afirmam que os discípulos de nosso Senhor deturparam a Sua mensagem e que Jesus não passou de mais um profeta que surgiu antes da aparição de Maomé - da mesma forma que acusam os judeus de não terem a verdadeira revelação de Deus.  Contudo, a matemática e a lógica de Deus são diferentes das dos homens. Por vezes, 1+1 é igual a 1 [Mc 10.8]. E assim como 1 vence 1 Mil, 2 não vencem 2 Mil, mas 10 Mil [Dt 32.30]. Veja, também, como o Senhor Deus criou alguns elementos da natureza: o átomo, que é formado por neutron, proton e eletron (três em um); a música, que é formada por armonia, ritmo e melodia (três em um). Podemos observar, então, por estes pequenos exemplos, que até mesmo a Loucura de Deus (que é loucura para os que perecem, mas sabedoria para os que creem - I Co 1.23-24) é maior do que a sabedoria de meros humanos [I Co 1.25].

Veja este desenho que poderá esclarecer melhor a formação da trindade:


O Filho não é o Pai, nem o Espírito. O Pai não é o Filho, nem o Espírito. O Espírito não é o Pai e nem o Filho. Mas todos os três são três pessoas divinas que formam um único Deus. Porém, diferentes do átomo e da música, os três são perfeitamente iguais em tudo; possuem a mesma natureza, apenas exercem funções diferentes.


O mistério da santíssima trindade no Antigo Testamento

By : Gabriell Stevenson

A doutrina da trindade é mais discutida - e rejeitada - do que muitos cristãos pensam. Enquanto muitos cristãos sinceros e verdadeiros estão sendo ensinados a respeito da santíssima trindade (um único Deus, mas eternamente existente em três pessoas), outros grupos, como as Testemunhas de Jeová, judeus, islâmicos, etc., tem negado esta doutrina - estes possuem visões "unicistas" ou "unitaristas", em que consiste que Deus é apenas um, existente como uma só pessoa.

A bíblia é a base para a fé de todo e qualquer cristão verdadeiro; sem acréscimos literários ou revelações sobrenaturais. É por ela, e apenas por ela, que teremos de analisar esta discussão. Antes disso, precisamos entender que judeus e islâmicos não aceitam em definitivo a divindade de Cristo, e que judeus e islâmicos também não creem no mesmo Deus - um crê é Jeová (ou Yahweh) e outro em Alá. Contudo, apesar disto, o único grupo que iremos excluir num primeiro momento são os islâmicos.

Partiremos do Antigo Testamento, analisando algumas evidências sobre o único Deus existente em mais de uma pessoa:

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra." - Gênesis 1.26

Esta é a passagem mais utilizada para se defender a doutrina da trindade no Antigo Testamento. É obvio que não podemos determinar, apenas por esta passagem, que se trata de um Deus trino. Contudo, podemos perceber que Deus está se referindo a Ele mesmo, porém falando com pelo menos mais uma pessoa; alguns acusam que este versículo pode estar se referindo a Deus falando com os anjos, mas nós não fomos criados a imagem dos anjos (não existem evidências que confirmem isso), fomos criados a imagem de Deus [Gn 1.27].

Outro texto onde podemos observar evidências sobre a trindade se encontra no capítulo 11 de Gênesis:

"Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro." - Gênesis 11.7

Aqui, o Senhor também não poderia estar falando com anjos, pois o texto não demonstra a participação deles na confusão das línguas humanas; vemos que o Senhor foi o único responsável por esta ação sobrenatural [Gn 11.6-9]. Perceba, também, que Deus utilizou a expressão "desçamos e confundamos" o que nos passa a ideia de que Ele está falando com mais de uma pessoa; alguém igualmente divino.

Algumas palavras hebraicas podem também nos ajudar a compreender o mistério da trindade no Antigo Testamento; como Echad Elohim.

1. Echad

"Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor." - Deuteronômio 6.4

No hebraico, echad significa uma unidade composta; é diferente de yachid, que significa uma unidade simples. Alguns outros versículos podem clarear o nosso entendimento quanto a isso. Por exemplo, em Gênesis 22.2, quando Deus pede Isaque a Abraão, Ele usa a palavra yachid (unidade simples); e em Gênesis 2.24, quando o Senhor fala a respeito do homem e sua esposa se tornarem uma só carne, Ele usa a palavra echad (unidade composta - neste caso, dois que se tornam um).

2. Elohim

"No principio criou Deus os céus e a terra." - Gênesis 1.1

A palavra usada para "Deus" na verdade é elohim. Elohim é o plural da palavra Elohi, e deve ser entendida como "deuses", literalmente. É interessante que elohim é sempre acompanhada de prefixos no singular, o que pode evidenciar uma unidade composta - como ocorre no caso de echad. Os grupos que refutam a doutrina da trindade afirmam que o uso do termo elohim não implica numa evidência à trindade, mas é usada apenas para um sentido de "plural majestático", ou seja, uma reafirmação do poder de Deus como sendo "poderosíssimo". Esta afirmação não está de um todo equivocada, porém, até mesmo eles aceitam que a tradução correta para elohim seja "deuses", mas, apenas por dedução, acreditam que, quando aplicada ao Senhor, elohim serve apenas para exautar/ampliar ainda mais a Sua majestade e poder. Essa dedução se dá pelo uso de elohim nos textos referentes a Dagom [I Sm 5.7], Asterote [I Rs 11.5] e Moisés [Êx 7.1]. Bem, no caso de Moisés, Deus disse que ele seria como um representante do próprio Deus para faraó. Se Moisés estava representando um Deus que era uma unidade composta, então deveria ser usada a palavra elohim. No caso dos deuses pagãos Dagom e Asterote poderia facilmente significar uma composição de vários demônios que atuavam como sendo um único deus pagão: Dagom ou Asterote. Vemos um exemplo disso no encontro de Jesus com o demônio legião ... Legião é o meu nome [singular], porque somos muitos [plural].” [Mc 5.9]. Este encontro é uma evidência clara de que os demônios podem atuar juntos, assumindo uma única identidade - como uma unidade composta.

De fato, nenhuma destas evidências aponta com clareza à trindade, mas isso se dá porque nem Cristo e nem o Espírito Santo haviam sido identificados como sendo pessoas da divindade; isso ocorreu apenas no Novo Testamento. Mas, antes de finalizarmos, um fato interessante sobre o Santo Espírito deve ser analisado aqui. Os judeus (e outros grupos), em um contexto geral, afirmam que o Espírito Santo nada mais é do que uma "força dinâmica" de Yahweh. Contudo, Isaías nos mostra que o Espírito Santo é sim uma pessoa: "... e contristaram o seu Espírito Santo..." [Is 63.10]. Uma simples "força dinâmica" não poderia ser dotada de sentimentos; apenas a uma pessoa isso seria possível. Isaías evidênciou aquilo que seria totalmente revelado no Novo Testamento e isto deve ser levado em consideração; o próprio Paulo provavelmente se utilizou desta passagem quando disse que não devemos entristecer o Espírito Santo [Ef 4.30].

Bem, parece-me claro que o Senhor deixou muitas pistas quanto a Sua pluralidade; sendo constatadas por essas passagens e palavras hebraicas que aqui analisamos.

Continua...

Texto: Gabriell Stevenson

Os 10 mandamentos e o Novo Testamento II: Jesus e a Lei

By : Gabriell Stevenson

Como dito na primeira parte desta serie, existem pensamentos diferentes quanto a validade dos 10 Mandamentos. Muitos cristãos creem que os 10 Mandamentos permanecem inalterados e válidos para hoje. Outros dizem que são válidos, mas com pequenas ou grandes modificações. Enquanto que um terceiro grupo crê que nada daquilo é mais válido, e que Cristo e os Apóstolos nos trouxeram uma nova Lei. Entre outros tipos de pensamentos.

A Pure Church For Christ crê que nada da Lei, propriamente – e não apenas os 10 Mandamentos –, servem como ordenanças para nós hoje, salvo os que encontram base firme na Lei do Espírito de Vida [Rm 8.2]; que é firmada na Fé e no Amor [Rm 3.21-22, 27 | Rm 13.10]. Exemplos claros de referências da Lei que devemos seguir são: honrar pai e mãe [Êx 20.12 | Ef 6.2]; amar o próximo como a si mesmo [Lv 19.34 | Tg 2.8]; amar a Deus de todo nosso coração, e de toda nossa alma, e com todas as nossas forças [Dt 6.5 | Lc 10.25-28]. Não matar [Êx 20.13 | Rm 13.19]. Entre outras coisas. Contudo, podemos observar alguns acréscimos, ou melhorias nesses mandamentos. Como por exemplo: “O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” [Jo 15.12]. E: “Qualquer que odeia o seu irmão é homicida...” [I Jo 3.15]. Veja que não devemos mais apenas amar o próximo como a nós mesmos, mas amá-lo como a nós mesmos e como Cristo nos amou; e que o ato de odiar alguém já nos caracteriza como assassinos, e não apenas o fato de matarmos literalmente.

Analisaremos então quais mudanças ocorreram dentre os 10 Mandamentos e como devemos encará-los atualmente:

1. Não terás outros deuses diante de mim. Bem, está claro que se trata de um mandamento ainda válido. Mas para darmos base a isso, vamos ver o que Paulo escreveu: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” [I Tm 2.5].

2. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás... Quanto ao culto idolatra a palavra de Deus, no Novo Testamento, diz: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos. Amém. [I Jo 5.21]. E também: “... porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos?... [II Co 6.14-16]. E para finalizar: “Não erreis:... nem os idólatras... herdarão o Reino de Deus.” [I Co 6.10].

3. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. O significado de tomar do nome de Deus em vão é muito debatido, porém muito simples de ser resolvido: vamos averiguar a palavra no original. “Vão” vem o hebraico saw, da mesma raiz hebraica de soah, trasendo um sentido de desolador; seu significado primário é o de “engano”, “mentira” ou “falsidade”. Secundariamente, pode significar algo “inútil”. Podemos então, concluir que tomar o nome de Deus em vão é toma-lo com intenções más – como a mentira, a falsidade e o engano –, ou com intenções inúteis. Falar o nome de Deus, com más intenções e de forma inútil continua sendo pecado, pois a Bíblia diz que o nome de Deus é santo [Mt 6.9].

4. Lembra-te do dia do sábado, para o santificar... Este é um mandamento que fora revogado nos dias do Novo Testamento. Vemos que Cristo se declarou como sendo o Senhor até do Sábado [Mc 2.27-28], afirmando que não era o sábado mais importante que o homem, pois o homem não foi feito para o sábado e sim o sábado para o homem. Hebreus 4.4-10 afirma que podemos entrar no descanso do Senhor [Gn 2.3] por meio de Cristo. Colossenses 2.17 nos adverte que estes sábados eram apenas sombras de coisas futuras (o descanso relatado em Hebreus 4.4-10 é o nosso descanso no Senhor): “... ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.” Gálatas 4.9-11 diz: “Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, e meses, e tempos, e anos. Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco.” Perceba que Paulo chama a guarda de dias como um rudimento fraco e pobre e que não precisamos mais servi-los. E, finalizando, Paulo fala em Romanos 14.5-6 que aqueles que fazem diferença entre dias para o Senhor o fazem, mas os que não fazem diferença para o Senhor o fazem, também, não havendo condenação para ninguém: “Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz...

5. Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. Horar pai e mãe continua sendo um mandamento para o Novo Testamento, contudo, Paulo acrescenta “... para que prosperes...” na interpretação deste mandamento [Ef 6.2-3]. Também institui ordenanças para os pais em relação aos filhos: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor [Ef. 6.4].

6. Não matarás. Mais um texto que continua, mas que sofreu acréscimos, como já vimos no começo deste texto. Jesus ensinou que: “... qualquer que, sem motivo, se encolerizar contra seu irmão, será réu de juízo; e qualquer que disser a seu irmão: Raca, será réu do sinédrio; e qualquer que lhe disser: Louco, será réu do fogo do inferno.” [Mt 5.22]. E o apostolo João nos ensina: “Qualquer que odeia a seu irmão é homicida...” [I Jo 3.15].

7. Não adulterarás. O adultério condenado no Antigo Testamento era efetuado carnalmente, porém, Jesus nos trás uma nova luz a respeito do adultério: “...qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela.” [Mt 5.28]. Ou seja, o simples fato de cobiçar, desejar, imaginar, já é causa de adultério. Adultério também se tornou assunto de divorcio: “...qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de fornicação, faz que ela cometa adultério, e qualquer que casar com a repudiada comete adultério.” [Mt 5.32] E: “...qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de fornicação, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.” [Mt 19.9].

8. Não furtarás. I Coríntios 6.10 diz: “Não erreis... nem os ladrões... herdarão o Reino de Deus.” E Jesus descreveu que satanás era como um ladrão [Jo 10.10], logo, roubar é o mesmo que assemelhar-se ao diabo, assim como mentir também o é [Jo 8.44].

9. Não dirás falso testemunho. Apocalipse 21.8 diz: “Mas, quanto... a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre...” E quem é mentiroso é filho do diabo, pois ele é o pai da mentira [Jo 8.44].

10. Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo. Paulo caracteriza os cobiçosos, ou avarentos, como pessoas das quais devemos sempre mantermos distancia, pois são homens corruptos [II Tm3.2-8]. E, como já vimos, aquele que cobiça a mulher do próximo, além de cometer o pecado da cobiça, também comete o pecado do adultério [Mt 5.28].


Como são bem visíveis, muitos destes textos sofreram mudanças. O Senhor Jesus até mesmo “complicou” a vida de alguns cristãos carnais (como os que gostam de desejar as mulheres em seus pensamentos). Devemos entender que o fim da lei é Cristo [Rm 10.4] e que se formos ensinar às igrejas os mandamentos de Deus, não deveríamos nos utilizar dos 10 Mandamentos dados a Moisés, mas sim os textos do Novo Testamento; mas se usarmos os 10 Mandamentos, que seja apenas para mostrar as mudanças sofridas durante a transição da Antiga para a Nova Aliança [Hb 7.12,18-19; 8.13], senão estaremos ensinando aos cristãos, ordenanças limitadas e fracas. Também não devemos reformular os 10 Mandamentos como a Igreja Católica Romana fez. Mais uma vez eu digo: se formos usar os mandamentos do Antigo Testamento, devemos primeiro encontrar uma base dentro do Novo.

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Os 10 mandamentos e o Novo Testamento I: Quais são?

By : Gabriell Stevenson

Muitos cristãos acreditam que os 10 mandamentos dados por Deus a Moisés ainda são válidos para os tempos do Novo Testamento, contudo, concordam que há mudanças – como, por exemplo, a revogação da guarda do sábado –, enquanto que outros creem que eles permanecem inalterados. Também há certa discordância quanto à divisão destes mandamentos.

Nesta primeira parte da serie sobre Os 10 mandamentos e o Novo Testamento, iremos analisar quais são, de fato, os 10 mandamentos dados por Deus a Moisés. Bem, resumindo, os 10 mandamentos (ou decálogo) é a síntese de toda a Lei de Deus no Antigo Testamento. E eles se encontram primeiramente em Êxodo 20.3-17 (sendo repetidos em Deuteronômio 5.7-21).

Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniquidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos. Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão; porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do Senhor teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o Senhor os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o Senhor o dia do sábado, e o santificou. Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá. Não matarás. Não adulterarás. Não furtarás. Não dirás falso testemunho contra o teu próximo. Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo.” - Êxodo 20.3-17

Flávio Josefo, um historiador e apologista judaico-romano, descendente de uma linhagem de importantes sacerdotes e reis, dividia os dez mandamentos da seguinte maneira: o versículo 3 como o Primeiro Mandamento, os versículos 4 a 6 como o segundo mandamento, o versículo 7 como o terceiro mandamento, os versículos 8 a 11 como sendo o quarto mandamento, e os versículos 12 a 17 são do quinto ao décimo mandamento, sendo um versículo para cada mandamento (Antigüidades Judaicas, Vol. 3, Cap. 5 §5). Esta é a mais aceita entre os protestantes.

Agostinho, assim como outros, consideravam os versículos 3 a 6 como um só mandamento, ignorando o versículo 4, mas dividiam o versículo 17 em dois mandamentos, o nono a respeito da cobiça da mulher alheia e o décimo contra cobiçar os seus pertences. A divisão de Agostinho foi adotada pela Igreja Católica Romana. Com o passar do tempo, contudo, a igreja católica alterou demasiadamente as palavras originais de Êxodo 20: 1. Amar a Deus sobre todas as coisas. 2. Não usar o Santo Nome de Deus em vão. 3. Santificar o domingo e festas de guarda. 4. Honrar pai e mãe. 5. Não matarás. 6. Não adulterarás. 7. Não furtarás 8. Não levantarás falsos testemunhos. 9. Não desejarás a mulher do próximo. 10. Não cobiçarás as coisas alheias. As modificações foram inspiradas nas pregações de Jesus.

Perceba que há muita inconsistência entre os pensamentos a respeito dos 10 mandamentos. E por vezes os cristãos ficam se sentindo perdidos com respeito a isso. A nossa proposta aqui é analisar qual seria a divisão mais assertiva, baseada no próprio contexto de Êxodo 20.3-17. Creio que esta seja, com certeza, a divisão feita por Flávio Josefo, pois os 10 mandamentos de Agostinho e os 10 mandamentos atuais da Igreja Católica Romana se mostram incompatíveis com o texto de Êxodo.

Agostinho certamente desprezou o v.4 – descaradamente – pelo fato da Igreja Católica acolher imagens de seus santos; incluir o v.4 feriria o dogma católico quanto à fabricação e culto das imagens. Os “novos 10 mandamentos” propostos pela Igreja Católica Romana foram produzidos apenas para criar um firmamento para a sua doutrina. Como foi dito, eles se inspiraram no contexto de Êxodo, alterando suas palavras com referência às pregações de Cristo. Veja, por exemplo, que a Igreja Católica juntou o 1º e 2º mandamentos num só: amar a Deus sobre todas as coisas. Apesar de ser uma verdade, estas palavras não foram ditas por Deus a Moisés na ocasião [Êx 20.3-6], mas algo semelhante a isso foi dito apenas em Deuteronômio 6.5. O que quero dizer é que existe uma diferença entre prestar culto somente a Deus e amá-lo sobre todas as coisas; nós podemos amar a Deus e podemos amar as demais coisas, porém, só podemos cultuar a Deus e não as demais coisas; e Deus estava claramente falando sobre prestação de culto e idolatria. Também há uma inconsistência entre o 9º e 10º mandamento deles; Deus havia dado os dois como sendo um só mandamento [Êx 20.17]. Essa divisão ocorreu por terem unido o 1º e 2º mandamento, mas excluindo o v.4, como Agostinho fez.

Por estes fatos, podemos concluir que os 10 mandamentos da Igreja Católica não são os mesmos dados por Deus a Moisés. Infelizmente, esta cultura dos “novos 10 mandamentos” da Igreja Católica Romana invadiu as igrejas cristãs protestantes, e comumente estamos ensinando-a em nossas escolas bíblicas ou até mesmo nos departamentos infantis e demais cultos. Se formos realmente ensiná-los, que façamos com fidelidade as Sagradas Escrituras.

Continua...

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Vinho e outras bebidas alcoólicas II: Jesus e João Batista

By : Gabriell Stevenson

Porque veio João Batista, que não comia pão nem bebia vinho, e dizeis: Têm demônio. Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho, amigo dos publicanos e dos pecadores.” – Lc 7.33-34

Assim como fazem com as palavras de Paulo a Timóteo, também há cristãos – e até não cristãos – que usam esta passagem para difamarem Jesus; afirmando que Ele era um consumidor de bebidas alcoólicas. Porém, como fizemos com I Timóteo 5.23 iremos analisar bem estes dois versículos de Lucas dentro do seu contexto real; com o auxilio do mesmo relato descrito por Mateus.

Em primeiro lugar, perceba que Jesus está fazendo um discurso para uma multidão que o cercava (v. 24); ele começa a falar a respeito de quem era João Batista – um profeta, e muito mais do que um profeta (v. 26-28). Durante o seu discurso, muitos homens que o ouviam declaravam a justiça de Deus (v. 29). Mas os fariseus rejeitaram aquilo que Jesus lhes dizia (v. 30). Em seguida, Jesus começa a relatar as afrontas que os fariseus lhes dirigiam (v. 33-34). E finaliza com uma grave repreensão contra o povo que habitava nas cidades em que operou a maior parte de seus milagres [Mt 11.20]; estas foram Corazim, Betsaida e Cafarnaum (v. 21-24).

Note que, quando Cristo falou as palavras “veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: Eis aí um homem comilão e bebedor de vinho” Ele estava se referindo ao que os fariseus declaravam sobre Ele; acusações infundadas contra Jesus para diluírem a Sua moral e justiça, e acabarem com o Seu ministério.

João Batista, de fato, não comia pão ou bebia vinho, pois este era o seu voto – o voto de nazireu [Nm 6.1-4]. Ser nazireu implica em não consumir nada que venha de uma vide; isso inclui até mesmo as uvas frescas. Jesus, por outro lado, não era nazireu e poderia consumir, sem nenhum problema, aquilo que provinha de uma vide; seja a própria fruta, o óleo, o vinagre ou o vinho, etc. A questão é, se este vinho o qual Jesus consumia era fermentado ou não, e existem boas evidências de que a resposta seja NÃO.

Além de textos como Efésios 5.18, Provérbios 20.1 e Provérbios 23.29-35, sabemos que na época de Cristo e dos apóstolos a água não era excelente para o consumo. “... a água em muitas localidades não era segura para uso. Doenças físicas, como a disenteria, frequentemente estavam relacionadas com água contaminada, sendo de comum ocorrência. Consequentemente, outras maneiras de matar a sede eram frequentemente recomendadas" (Seventh-day Adventist Bible Commentary, v. 7, p. 314). Uma dessas maneiras, e a principal delas, era o consumo de vinho não fermentado; consumir o vinho fermentado durante todo o dia, para saciar a sede, levaria a pessoa a estar bêbada constantemente, prejudicando sua vida privada e profissional.

Jesus certamente fazia o mesmo que seus contemporâneos, Ele consumia vinho não fermentado para matar a sua sede, ao invés de arriscar ter uma disenteria consumindo muita água possivelmente suja. Como Ele era convidado a sempre estar na casa de alguém ou participar de muitas festas e comemorações, acabava comendo e bebendo vinho frequentemente – mas frequentemente não implica dizer “em grande e exagerada quantidade”. Os fariseus usaram este fato apenas para difamá-lo – mentiram sobre Ele. Jesus apenas fez uma comparação do que diziam contra João Batista e o que diziam contra Ele próprio; como não tinham o que dizer contra João Batista, afirmaram que ele tinha demônio por não se comportar "normalmente" – já que comia gafanhotos e mel silvestre, ao invés de pão e vinho, e ainda por cima usava pele de camelo para se vestir; e como não tinham o que dizer contra Jesus, afirmaram que Ele era um comilão e beberrão por comer e beber normalmente.

Continua...

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