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A santíssima trindade revelada no Novo Testamento

By : Gabriell Stevenson

No artigo anterior, sobre a santíssima trindade no Antigo Testamento, observamos algumas evidências quanto a trindade de Deus no Antigo Testamento. Vimos que possuímos fortes razões para crermos que Deus Pai deixara algumas pistas quanto ao Filho (Jesus) e o Espírito Santo fazerem parte da Sua divindade. Contudo, como veremos a seguir, apenas no Novo Testamento é que as sombras das coisas passadas se dissiparam [Cl 2.17 | Hb 10.1] e a verdade outrora oculta fora finalmente revelada [Cl 1.26].

Para entendermos melhor, iremos dividir este estudo em duas partes: Jesus e o Espírito Santo. Assim, poderemos ver com clareza e exatidão algumas das várias passagens bíblicas que comprovam a dinvindade do Filho e do Espírito.

1. Jesus

"No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus... Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez." - João 1.1,3

"Eu e o Pai somos um." - João 10.30

"E quem vê a mim vê aquele que me enviou." - João 12.45

"... porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente." - Jo 5.19

"Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade." - Colossenses 2.9

Estes são apenas alguns dos vários versículos que podem ser encontrados na Palavra de Deus, que comprovam a divindade de Cristo. O evangelho segundo João foi o que mais enfatizou o Senhor Jesus como sendo parte da divindade de Deus. Ele faz referências até mesmo à criação do mundo, afirmando que Jesus é Deus - não um Deus, mas Deus -, e também afirma que tudo quanto foi feito, por Ele foi feito. Neste mesmo evangelho, vemos Jesus fazendo declarações a cerca de si mesmo, afirmando ser um só com o Pai, e que todo aquele que olhasse para Ele, estaria olhando para Deus, pois Jesus era a perfeita imagem de Deus aqui na terra [Hb 1.3]; realizando as mesmas obras. Paulo também defende a dinvindade de Cristo, afirmando que nele habita corporalmente toda a plenitude divina. Seria impossível para Jesus, se fosse um simples homem, possuir toda a plenitude divina habitando em si mesmo.

Além destas passagens, existem outras referências a cerca de Jesus, no Novo Testamento, que o colocam em pé de igualdade com o Deus Pai:

Eu sou - Êxodo 3.14 | João 8.58

Redentor - Isaías 47.4 | Tito 2.14

Salvador - Isaías 43.3 | Tito 3.6

Juiz - Salmo 98.9 | Atos 17.31

Senhor - Isaías 6.1 | João 12.41

Ao longo de todo o Novo Testamento, podemos observar várias dessas comparações entre Jesus e o Pai, igualando-os. A própria vida de Cristo, e o testemunho de todas as professias sendo cumpridas Nele, provam que Jesus é o Messias e Deus.

2. Espírito Santo

O próximo passo agora é vermos como pode o Espírito Santo também ser Deus, mas antes devemos responder a uma pergunta: o Espírito Santo também é uma pessoa, assim como o Pai e o Filho?

"Mas eles foram rebeldes, e contristaram o seu Espírito Santo..." - Isaías 63.10

"E não entristeçais o Espírito Santo de Deus..." - Efésios 4.30

"... esse vos ensinará todas as coisas..." - João 14.26

Os judeus não convertidos acreditam que o Espírito Santo não seja uma pessoa, mas apenas uma "força dinâmica" de Deus. Porém, estes três versículos demonstram que o Espírito Santo é uma pessoa, assim como Deus Pai e Deus Filho o são, pois tem sentimentos e inteligência. Apenas uma pessoa poderia possuir tais atributos. Também podemos observar em Atos 5.3 que existe a possibilidade de mentirmos para o Espírito, e, como sabemos, só se pode mentir à uma pessoa.

Percebendo isto, vamos analisar como o Espírito Santo fora revelado como participante da mesma divindade do Pai e do Filho:

"E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador..." - João 14.16

A palavra usada para "outro" é allos, que significa "outro do mesmo tipo"; diferente de heteros, que significa "outro de outro tipo". Jesus, igualou o Espírito Santo a Ele mesmo. Está evidente, por esta declaração, que o Espírito possui a mesma natureza de Cristo - que possui a mesma natureza do Pai.

Em I Coríntios 3.17, Paulo disse: "... o Senhor é o Espírito...", claramente evidenciando o Espírito Santo como Deus. O apóstolo Pedro também o revela como Deus: "... mentisses para o Espírito Santo... Não mentiste aos homens, mas para Deus." [At 5.3-4]. E além destes versículos podemos observar, por meio de muitas passagens, os mesmos atributos de Deus no Espírito Santo: Ele é a verdade [I Jo 5.6]; Ele é onipresente e onisciente [Sl 139.7 | I Co 2.10]; Ele é criador [Sl 104.29-30]; etc.

O fato de muitos judeus não crerem na santíssima trindade - ou que pelo menos o Senhor seja um Deus eternamente existente em mais de uma pessoa - é por não crerem no testemunho fiel do Senhor Jesus e nem do Espírito Santo, como sendo igualmente divinos como o Pai - para estes, Jesus não fora o Cristo e o Espírito Santo não passa de uma "força dinâmica" de Deus Pai. Podemos observar, porém, por todas as Sagradas Escrituras do Novo Testamento, que muitos judeus seguiram e creram em Cristo; aceitando a Sua divindade e a do Santo Espírito.

Os islâmicos, como foi assinalado no texto anterior, também recusam a ideia de que Deus seja uma trindade; dizem ser impossível 1+1+1 ser igual a 1, logo rejeitam que Deus possa ser uma trindade. Os islâmicos nem sequer aceitam que Jesus seja o Messias; afirmam que os discípulos de nosso Senhor deturparam a Sua mensagem e que Jesus não passou de mais um profeta que surgiu antes da aparição de Maomé - da mesma forma que acusam os judeus de não terem a verdadeira revelação de Deus.  Contudo, a matemática e a lógica de Deus são diferentes das dos homens. Por vezes, 1+1 é igual a 1 [Mc 10.8]. E assim como 1 vence 1 Mil, 2 não vencem 2 Mil, mas 10 Mil [Dt 32.30]. Veja, também, como o Senhor Deus criou alguns elementos da natureza: o átomo, que é formado por neutron, proton e eletron (três em um); a música, que é formada por armonia, ritmo e melodia (três em um). Podemos observar, então, por estes pequenos exemplos, que até mesmo a Loucura de Deus (que é loucura para os que perecem, mas sabedoria para os que creem - I Co 1.23-24) é maior do que a sabedoria de meros humanos [I Co 1.25].

Veja este desenho que poderá esclarecer melhor a formação da trindade:


O Filho não é o Pai, nem o Espírito. O Pai não é o Filho, nem o Espírito. O Espírito não é o Pai e nem o Filho. Mas todos os três são três pessoas divinas que formam um único Deus. Porém, diferentes do átomo e da música, os três são perfeitamente iguais em tudo; possuem a mesma natureza, apenas exercem funções diferentes.


O mistério da santíssima trindade no Antigo Testamento

By : Gabriell Stevenson

A doutrina da trindade é mais discutida - e rejeitada - do que muitos cristãos pensam. Enquanto muitos cristãos sinceros e verdadeiros estão sendo ensinados a respeito da santíssima trindade (um único Deus, mas eternamente existente em três pessoas), outros grupos, como as Testemunhas de Jeová, judeus, islâmicos, etc., tem negado esta doutrina - estes possuem visões "unicistas" ou "unitaristas", em que consiste que Deus é apenas um, existente como uma só pessoa.

A bíblia é a base para a fé de todo e qualquer cristão verdadeiro; sem acréscimos literários ou revelações sobrenaturais. É por ela, e apenas por ela, que teremos de analisar esta discussão. Antes disso, precisamos entender que judeus e islâmicos não aceitam em definitivo a divindade de Cristo, e que judeus e islâmicos também não creem no mesmo Deus - um crê é Jeová (ou Yahweh) e outro em Alá. Contudo, apesar disto, o único grupo que iremos excluir num primeiro momento são os islâmicos.

Partiremos do Antigo Testamento, analisando algumas evidências sobre o único Deus existente em mais de uma pessoa:

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra." - Gênesis 1.26

Esta é a passagem mais utilizada para se defender a doutrina da trindade no Antigo Testamento. É obvio que não podemos determinar, apenas por esta passagem, que se trata de um Deus trino. Contudo, podemos perceber que Deus está se referindo a Ele mesmo, porém falando com pelo menos mais uma pessoa; alguns acusam que este versículo pode estar se referindo a Deus falando com os anjos, mas nós não fomos criados a imagem dos anjos (não existem evidências que confirmem isso), fomos criados a imagem de Deus [Gn 1.27].

Outro texto onde podemos observar evidências sobre a trindade se encontra no capítulo 11 de Gênesis:

"Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro." - Gênesis 11.7

Aqui, o Senhor também não poderia estar falando com anjos, pois o texto não demonstra a participação deles na confusão das línguas humanas; vemos que o Senhor foi o único responsável por esta ação sobrenatural [Gn 11.6-9]. Perceba, também, que Deus utilizou a expressão "desçamos e confundamos" o que nos passa a ideia de que Ele está falando com mais de uma pessoa; alguém igualmente divino.

Algumas palavras hebraicas podem também nos ajudar a compreender o mistério da trindade no Antigo Testamento; como Echad Elohim.

1. Echad

"Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor." - Deuteronômio 6.4

No hebraico, echad significa uma unidade composta; é diferente de yachid, que significa uma unidade simples. Alguns outros versículos podem clarear o nosso entendimento quanto a isso. Por exemplo, em Gênesis 22.2, quando Deus pede Isaque a Abraão, Ele usa a palavra yachid (unidade simples); e em Gênesis 2.24, quando o Senhor fala a respeito do homem e sua esposa se tornarem uma só carne, Ele usa a palavra echad (unidade composta - neste caso, dois que se tornam um).

2. Elohim

"No principio criou Deus os céus e a terra." - Gênesis 1.1

A palavra usada para "Deus" na verdade é elohim. Elohim é o plural da palavra Elohi, e deve ser entendida como "deuses", literalmente. É interessante que elohim é sempre acompanhada de prefixos no singular, o que pode evidenciar uma unidade composta - como ocorre no caso de echad. Os grupos que refutam a doutrina da trindade afirmam que o uso do termo elohim não implica numa evidência à trindade, mas é usada apenas para um sentido de "plural majestático", ou seja, uma reafirmação do poder de Deus como sendo "poderosíssimo". Esta afirmação não está de um todo equivocada, porém, até mesmo eles aceitam que a tradução correta para elohim seja "deuses", mas, apenas por dedução, acreditam que, quando aplicada ao Senhor, elohim serve apenas para exautar/ampliar ainda mais a Sua majestade e poder. Essa dedução se dá pelo uso de elohim nos textos referentes a Dagom [I Sm 5.7], Asterote [I Rs 11.5] e Moisés [Êx 7.1]. Bem, no caso de Moisés, Deus disse que ele seria como um representante do próprio Deus para faraó. Se Moisés estava representando um Deus que era uma unidade composta, então deveria ser usada a palavra elohim. No caso dos deuses pagãos Dagom e Asterote poderia facilmente significar uma composição de vários demônios que atuavam como sendo um único deus pagão: Dagom ou Asterote. Vemos um exemplo disso no encontro de Jesus com o demônio legião ... Legião é o meu nome [singular], porque somos muitos [plural].” [Mc 5.9]. Este encontro é uma evidência clara de que os demônios podem atuar juntos, assumindo uma única identidade - como uma unidade composta.

De fato, nenhuma destas evidências aponta com clareza à trindade, mas isso se dá porque nem Cristo e nem o Espírito Santo haviam sido identificados como sendo pessoas da divindade; isso ocorreu apenas no Novo Testamento. Mas, antes de finalizarmos, um fato interessante sobre o Santo Espírito deve ser analisado aqui. Os judeus (e outros grupos), em um contexto geral, afirmam que o Espírito Santo nada mais é do que uma "força dinâmica" de Yahweh. Contudo, Isaías nos mostra que o Espírito Santo é sim uma pessoa: "... e contristaram o seu Espírito Santo..." [Is 63.10]. Uma simples "força dinâmica" não poderia ser dotada de sentimentos; apenas a uma pessoa isso seria possível. Isaías evidênciou aquilo que seria totalmente revelado no Novo Testamento e isto deve ser levado em consideração; o próprio Paulo provavelmente se utilizou desta passagem quando disse que não devemos entristecer o Espírito Santo [Ef 4.30].

Bem, parece-me claro que o Senhor deixou muitas pistas quanto a Sua pluralidade; sendo constatadas por essas passagens e palavras hebraicas que aqui analisamos.

Continua...

Texto: Gabriell Stevenson

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